03 outubro 2007

Alegoria da Caverna - Platão


Platão - Alegoria da Caverna
Imaginem a seguinte situação: homens aprisionados em uma caverna, desde a infância, tendo essa uma única entrada para a luz. Na posição em que estão, na semi-escuridão, eles só conseguem enxergar sombras projetadas pela luz que entra por detrás deles. Estas sombras mostram homens carregando objetos de variadas formas. Uns conversam entre si, outros apenas passam. Para estes prisioneiros, nestas condições, esta é a realidade do mundo.

Considerando que um deles fosse solto, sua primeira reação seria de dor, pelos anos de confinamento. Em seguida, ao alcançar o mundo externo, sua visão seria ofuscada pela súbita claridade. Mas, aos poucos ele se fascinaria com a descoberta,
tendo dificuldades em julgar qual seria a verdadeira realidade. Com o tempo, ele começaria a se adaptar a essa nova realidade e compreendê-la. Ao lembrar de sua vida anterior, pensaria: - Prefiro viver e sofrer tudo novamente a retornar às ilusões de
antes.

Caso este homem, agora consciente, resolvesse retornar à caverna, veria, num primeiro momento, apenas trevas. Mas, mesmo depois, teria dificuldade de distinguir as sombras que lhe eram tão familiares. Seus companheiros lhe diriam que sua ida ao
mundo exterior havia arruinado sua percepção da realidade e, por isso, não valia a pena se arriscar numa jornada desconhecida. Se acaso fossem soltos e forçados a sair da caverna, tentariam agarrá-lo e o matariam, por não acreditarem que existisse outra verdade além da que conheciam.

Se considerarmos tudo que vemos sobre a face da terra como a caverna e, a luz que lá incidia como o sol que nos ilumina, podemos considerar que a descoberta de um outro mundo representa uma nova vida para onde as almas se elevam, mas só Deus sabe
se ela é verdadeira. Tendo como base esta idéia do bem, que é criadora do mundo e senhora da verdade e da inteligência, precisamos nela crer para sermos sensatos na vida.

27 setembro 2007

Sem prosa e sem rima


Vá fria lâmina do destino
Vá cortar outros corações
Vá romper relacionamentos
Apenas se vá, nunca volte

Este peito cheio destas cicatrizes
Cansado de bater está este coração
Pára, dilacerado morto em lágrimas
Quanto me dói ver o seu sofrimento

Dizem que o tempo a tudo muda
Dizem que o tempo a tudo destrói
Dizem que com o tempo tudo acaba
Mas por quanto tempo?

Por quanto mais deve-se esperar
Por quanto mais deve-se chorar
Por quanto mais devo suportar
Por quanto mais deve-se viver?

Quando esta vida tiver fim
E não houver mais dor
As cicatrizes devem lhe acompanhar
Por onde você for

Coisas do dia a dia


Dia destes estava eu chegando do almoço, aguardando na fila do
elevador com destino ao 17º andar.
A portaria do prédio no qual trabalho possui duas portas: Uma para acesso convencional e outra para acesso aos alunos de uma faculdade que eu não vou citar nome porque não tenho a menor intenção de fazer
merchandise por aqui. Logo após as duas portas, todos se encontram novamente. Do lado esquerdo, fica o porteiro do prédio e do lado direito o porteiro da faculdade Sr. Paulo.
Então, estava eu em conversa animada com a moça do RH da minha empresa quando passa no nosso meio o Sr. Paulo, o porteiro da faculdade andando de costas, meio cambaleante. Por um milésimo de segundo pensei que poderia ser alguma brincadeira dele com a moça que eu estava a conversar, porém fitei meus olhos nos deles e tomei um susto quando vi seu olhar vazio e sem direção: Ele estava tendo um ataque.
Rapidamente, tratei de me desdobrar para segurar aquele pobre senhor que até o presente momento só havia trocado "bom dia". Ato contínuo, coloquei-o no chão e ele começou aquele breve processo de ataque convulsivo. Fui ajudado por uma outra moça que estava na fila. Enquanto todos gritavam: "Sr. Paulo! Sr. Paulo" e eu respondia: Pessoal, ele não vai ouvir nada agora. Ele está inconsciente enquanto o ataque não passar. Acalmem-se por favor.
Bem, resumindo a história: Deus me colocou num lugar para salvar um senhor de cair de cabeça ao chão. Talvez se eu não estivesse no lugar certo na hora certo o fim daquele homem seria ali. Aguardei o Sr. Paulo melhorar e depois fui embora como sempre faço.
Hoje, não sei porque cheguei como de praxe sozinho à mesma fila e lá estava o Sr. Paulo. Continuei fazendo questão de cumprimentar apenas com o meu saudoso "bom dia" e me continuei aguardando a chegada do elevador. Um senhor que trabalha para o condomínio saiu por de trás do balcão, me pegou pelo braço e olhou para o Sr. Paulo dizendo: "Sr. Paulo, o senhor gostaria de saber quem lhe ajudou no dia que passou mal, pois este aqui é o rapaz." - fiquei desconcertado. Não tenho o costume de ser reconhecido por este tipo de coisa e muito menos gosto quando isto acontece. Mas aí veio algo que me fez refletir: "Meu filho, que Deus lhe abençoe! É bom saber que no mundo ainda exista gente boa."
Cheguei ao décimo sétimo andar como se estivesse chegando ao céu. Recebi uma alta dose de energia positiva pela manhã. Pensei comigo: Eu não sou um guardião, mas naquele dia eu consegui fazer algo que dá prazer, ajudar ao próximo! Porque não passar adiante?